segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Chave-mestra

Instantes solto, calado, como um grão que espera o mar.
Que espera um aconchego, um empurrão, uma mão que acompanha.

Caminha comigo, me mostra os passos, solta o cabelo.
Sente a brisa que corre pela fechadura: foi Deus quem soprou.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cacos e ladrilhos

Prefiro lentamente, a voz suave, os passos alinhados.
Mas aí vem o carnaval, agita o coração, irrompe o grito e desalinha o caminho.

Prefiro quieto, a pessoa querida, o assunto otimista;
pois de lá o cenário é previsível, audível e, quando confuso, superável.

— Deita na rede, descansa os pés, abraça o sossego.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Do diário de amanhã

Acordei animado, tive aula de pintura e comprei um aquário — sempre gostei de peixes. Tomei minha vitamina de açaí, fiz uma laranjada e descasquei mandioca. Mamãe e papai vieram do sítio.

Terminei de escrever um texto para o jornal da cidade. Fui sondar em que pé estava a reforma do meu consultório. Se os negócios continuarem bem, logo comprarei meu apartamento.

Heloísa e eu corremos ao entardecer. Pairaram-nos planos atípicos para o ano vindouro. Jantamos para comemorar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

(...)

Procura o eterno, o derradeiro, corre como quem não alcança. Mesmo que haja, daqueles que ficam até a morte, não escapa a solidão e o receio. Não é o tempo.

Encontra aconchego, segurança e sexo. Acorda e deixa partir sem entender. Não é negligência.

Tenta escrever, perde as palavras e as chaves, a calça deixa caída e a pia, entupida. Não é caos. Caos é palavra de uma só pessoa.

Cai lento, deita na poeira, aguarda socorro.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para que a paixão não cesse

Até quando uma jarra de café trará o mesmo sabor, o mesmo tom, a mesma emoção? Até quando continuarmos a usá-la pelos mesmos meios e para os mesmos fins? Que tal lancharmos no chão, na cama, no banheiro? Que tal reinventarmos a vida a cada sol que desponta no céu?

Wish you were here

Entre vales e picos passa o corpo caído e erguido, como que dormindo e acordando, não obstante os ruídos da rua que marcam o espaço, partindo e voltando no tempo. Lembrou-se do cigarro, do banheiro público, do receio propulsor do trabalho e do sexo. Quase maníaco. Deita o álcool que cessa. Quase deprimido.