Essa coisa de uma ponte se estender entre dois seres; esse porto seguro a que tanto sonhamos lançar âncora — essa comunicação inequívoca a que chamamos amor!...
Aquele afeto raro — a calma, o gozo, a desrealização! Momentos em que somos contagiados pelo riso bobo, pela leveza de se deixar levar pela excelência da alegria... como se fôssemos simples e agradavelmente crianças!
E a cidade e o pai, que pedem que sejamos adultos — essa pós-modernidade que esvaneceu, que descoloriu o amor!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Sobre a humidade do humor
Porque o amor não é flor que desabrocha em qualquer estação... nem é planta que se cultiva em solo qualquer. O amor não é fruto que se colhe de qualquer maneira... nem se deixa abocanhar por qualquer mulher.
Se não há quem o cultive, extinguir-se-á. Se não há quem o colha, murchar-se-á. Se não há quem o coma, pela terra será comido! — Porque há sorte que o faça brotar... e há tempos, terras e bocas que o façam reinar!
Se assim não for, coitado de mim, o que faço é me enganar.
Se não há quem o cultive, extinguir-se-á. Se não há quem o colha, murchar-se-á. Se não há quem o coma, pela terra será comido! — Porque há sorte que o faça brotar... e há tempos, terras e bocas que o façam reinar!
Se assim não for, coitado de mim, o que faço é me enganar.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Liberdade
Liberdade é o movimento raro de deixar de ser quem somos... mesmo que só por alguns instantes. Ela se expressa na flexibilidade, na des-construção que precede a re-construção. A liberdade nos dá a sensação de que estamos à parte das leis naturais, das contingências que dirigem o corpo e a autoconsciência.
Mas ela está, como todas as coisas, submetida às ordens daquilo que nem podemos imaginar.
Mas ela está, como todas as coisas, submetida às ordens daquilo que nem podemos imaginar.
quinta-feira, 26 de março de 2009
A identidade do efêmero

Cadê os berros de Cobain? o canto-jovem dos hermanos; as notas que lubrificavam o corpo e a alma... — cadê?
Os desenhos de infância; a bicicleta azul, a espada dos gatos; os coleguinhas-de-rua e a mãe que cuidava do que era insalubre... — cadê?
O cigarro, que não libertou nem aprisionou; e o sexo, que trouxe o susto, provou-se pecado e abriu as portas do céu... — cadê?
A inteligência e a sabedoria, que por pouco não massacraram o amor... e as certezas acerca do homem, da vida... — cadê?
Cadê o esporte, que pediu que fosse atleta, que não bebesse... que compreende a arte e a disciplina... — cadê?
Eu-mesmo, longe de minhas paixões, de meus referenciais... e desgarrado de tudo o que insiste em se enraizar, em me definir... — cadê?
terça-feira, 24 de março de 2009
Traduzindo o intraduzível
Essa mania de pensar que não é tão simples assim. Que há sempre um porquê do porquê. Que causas antecedentes determinam causas iminentes. Que causa seja um conceito causado por uma lógica ainda mais minuciosa, uma lógica mecanicista. Que raciocínios mecanicistas obedecem à uma mecânica inerente, imanente, que extrapola quaisquer tentativas de compreensão.
Essa mania de sentir que poderia ser melhorado. De não contentar com o que se tem, nem com o que se sente, se pensa... tampouco com o que se é! Essa busca insaciável pela completude, pela perfeição, pela imortalidade. Essa falta de paz, de Deus, de amor.
Esse prazer oriundo da angústia, da caçada-sem-fim, do eterno vir-a-ser. Essa vontade de potência, de conquistar o não-querer. Esse privilégio de se apoderar da própria vida, de planejar a própria morte! Esse gostinho de que assim é que vale mesmo a pena...
Das ruínas ao triunfo, um Eterno Retorno. Da dúvida à convicção, a flexibilidade. Das virtudes às paixões, liberdade!
— Sabe-se, contudo, que nada disso é verdade.
Essa mania de sentir que poderia ser melhorado. De não contentar com o que se tem, nem com o que se sente, se pensa... tampouco com o que se é! Essa busca insaciável pela completude, pela perfeição, pela imortalidade. Essa falta de paz, de Deus, de amor.
Esse prazer oriundo da angústia, da caçada-sem-fim, do eterno vir-a-ser. Essa vontade de potência, de conquistar o não-querer. Esse privilégio de se apoderar da própria vida, de planejar a própria morte! Esse gostinho de que assim é que vale mesmo a pena...
Das ruínas ao triunfo, um Eterno Retorno. Da dúvida à convicção, a flexibilidade. Das virtudes às paixões, liberdade!
— Sabe-se, contudo, que nada disso é verdade.
domingo, 22 de março de 2009
Do aceitar ao sustentar. Do desejo ao medo.
Não me canso de tentar. Depois que se conhece o céu, o resto é só resto! E vale a pena o esforço, a escalada. A mediocridade da vida reside na distância entre os fragmentos que compõem quem somos. A palavra esquizofrenia bem poderia expressar essa característica dos pobres em autoconhecimento, os desarranjados, os desequilibrados. Os ditos esquizofrênicos são, na verdade, mais mergulhados em si do que essa banda de neuróticos.
Ah!, se eu tivesse mais coragem de me ver pelo avesso! E quando o faço, como me dói a proximidade discordante das diversas porções que me constituem!
Mas o amor, o céu, ele não se repousa num só lugar, num só tempo. O amor é fruto da concórdia, do encontro, da sensibilidade; e é inerente a quaisquer relações traçadas diariamente... — desde que capazes de enlaçá-las e sustentá-las com agrado e concordância.
Mas temos medo de toda essa grandeza! Melhor, temos medo de aceitá-la, prendê-la, perdê-la!
Ah!, se eu tivesse mais coragem de me ver pelo avesso! E quando o faço, como me dói a proximidade discordante das diversas porções que me constituem!
Mas o amor, o céu, ele não se repousa num só lugar, num só tempo. O amor é fruto da concórdia, do encontro, da sensibilidade; e é inerente a quaisquer relações traçadas diariamente... — desde que capazes de enlaçá-las e sustentá-las com agrado e concordância.
Mas temos medo de toda essa grandeza! Melhor, temos medo de aceitá-la, prendê-la, perdê-la!
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